Migrar um site sem perder posições no Google é possível - mas exige planejamento cuidadoso antes, durante e depois do processo. Sites que fazem a migração sem protocolo adequado podem perder de 20% a 60% do tráfego orgânico, e a recuperação leva meses.
Este guia apresenta o protocolo completo, em ordem cronológica, para migrações de menor risco.
O que é migração de site (e o que ela inclui)
Migração de site pode significar várias coisas:
- Troca de domínio: de
sitevelho.com.brparasitenovó.com.br - Mudança de CMS: de WordPress para plataforma própria (ou vice-versa)
- Reestruturação de URLs: mudança na hierarquia de páginas
- Migração de HTTP para HTTPS: mais simples, mas ainda exige atenção
- Combinação de dois ou mais acima simultaneamente
Cada tipo tem riscos específicos. Combinar troca de domínio com reestruturação de URLs ao mesmo tempo é o cenário de maior risco.
Fase 1: Preparação (antes da migração)
Inventário completo das URLs atuais
Antes de qualquer mudança, registre todas as URLs do site atual que estão indexadas:
- Acesse o Google Search Console do site antigo
- Vá em “Páginas” > exporte a lista de URLs indexadas
- Complemente com o Screaming Frog ou Semrush para pegar páginas que o Search Console pode não mostrar
Este inventário é a base para criar os redirects.
Mapeamento de URLs antigas para novas
Para cada URL do site antigo, defina qual será a URL correspondente no site novo.
Exemplo de mapeamento:
| URL antiga | URL nova |
|---|---|
/servicos.php?id=5 | /servicos/consultoria-financeira/ |
/sobre-nos.html | /sobre/ |
/blog/post-1/ | /artigos/categoria/post-1/ |
O mapeamento deve ser feito página a página, não com wildcards genéricos, para preservar a relevância de SEO de cada URL.
Registro das métricas atuais (baseline)
Antes de migrar, registre:
- Tráfego orgânico mensal (Google Analytics)
- Posições das principais keywords (Search Console)
- Número de páginas indexadas
- Domínios externos que apontam para o site
Essas métricas são a referência para avaliar o impacto pós-migração.
Fase 2: Desenvolvimento no staging
Desenvolva o site novo em um ambiente de staging (subdomínio de desenvolvimento) com:
<meta name="robots" content="noindex, nofollow">
Isso impede que o Google indexe o site em construção. Remova essa tag apenas no momento do lançamento.
Itens para validar no staging:
- Todas as URLs novas estão funcionando?
- O
sitemap.xmlnovo está atualizado com as novas URLs? - O
robots.txtestá correto? - A velocidade do site novo é igual ou melhor que o site antigo?
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Fase 3: O dia do lançamento
Ordem de execução
- Ativar os redirects 301 antes de apontar o domínio (se possível)
- Apontar o domínio para o novo servidor
- Remover o noindex das meta tags
- Enviar o novo sitemap no Google Search Console
- Solicitar re-indexação das páginas principais via Search Console > “Inspecionar URL” > “Solicitar indexação”
Redirects 301: a parte mais crítica
O redirect 301 informa ao Google que a página mudou permanentemente de endereço, transferindo a autoridade de SEO da URL antiga para a nova.
Regras para redirects:
- Cada URL antiga deve redirecionar para a URL correspondente mais relevante
- Evite cadeias de redirect (A → B → C): mantenha redirecionamento direto (A → C)
- Redirects em loop são erros graves - teste todos antes de publicar
- Redirects devem permanecer ativos por pelo menos 12 meses
Verificação: Use a ferramenta httpstatus.io para testar se cada redirect está retornando código 301 corretamente.
Atualizar os backlinks mais importantes
Se o site antigo tinha links externos valiosos (menções em imprensa, parcerias), entre em contato com os donos dos sites para atualizar os links para as novas URLs. Os redirects transferem autoridade, mas o link direto é sempre mais eficiente.
Fase 4: Monitoramento pós-migração
Primeiros 7 dias
- Monitore o Search Console diariamente para erros de cobertura
- Verifique se as páginas principais estão sendo rastreadas
- Confirme que os redirects estão funcionando para as URLs de maior tráfego
- Acompanhe o tráfego orgânico no Analytics - quedas de até 15% são normais na primeira semana
Primeiros 30 dias
- Acompanhe as posições das keywords principais semanalmente
- Verifique se há 404s inesperados no Search Console
- Monitore se o número de páginas indexadas está crescendo (não caindo)
Mês 2 e 3
Se após 6-8 semanas o tráfego ainda não voltou ao patamar anterior, é necessário investigar:
- Redirects quebrados ou configurados incorretamente
- Conteúdo do site novo com qualidade inferior ao anterior
- Problemas de velocidade ou SEO técnico no novo site
- Mudanças no algoritmo do Google durante o período
Erros mais comuns em migrações
Redirects de página para home: redirecionar todas as URLs antigas para a home (/) em vez das páginas equivalentes. Isso destrói a autoridade de SEO acumulada em cada página.
Esquecer as imagens: imagens com URLs antigas que são referenciadas externamente também precisam de redirect ou atualização.
Manter o staging indexado: esquecer de remover o ambiente de staging do Google gera conteúdo duplicado.
Trocar domínio e reestruturar URLs ao mesmo tempo: faz parte das mudanças acontecerem de forma simultânea. Se possível, faça as mudanças em etapas separadas.
FAQ
Quanto tempo leva para o Google processar uma migração?
O Google começa a rastrear as mudanças nas primeiras semanas após a migração, mas o processamento completo pode levar de 3 a 6 meses. Durante esse período, é normal ver flutuações de posição - para cima e para baixo - antes de estabilizar.
Redirect 301 é a única opção?
Existe também o redirect 302 (temporário), mas ele não transfere autoridade de SEO. Para migrações de site, sempre use 301. O redirect 308 é uma versão moderna do 301 que preserva o método HTTP, mas tem suporte limitado - stick com 301 para compatibilidade máxima.
O que fazer se o tráfego não voltar após 3 meses?
Faça uma auditoria completa: verifique se todos os redirects estão corretos, compare o conteúdo do site novo com o antigo, analise as posições perdidas para identificar padrões. Em muitos casos, a perda é de conteúdo - o site novo tem páginas com menos informação do que as antigas.
Migrar de HTTP para HTTPS é arriscado para SEO?
É a migração de menor risco quando feita corretamente. O Google dá preferência para HTTPS e a mudança geralmente resulta em melhora, não queda. Os cuidados são os mesmos: redirects 301 de todas as URLs HTTP para HTTPS e atualização do sitemap e do Search Console.